O setor do agronegócio brasileiro está em plena fase de readequação e planejamento estratégico diante da iminente concretização do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. Empresas de diferentes segmentos, desde a produção de carnes especiais até ovos, vislumbram um cenário de oportunidades sem precedentes, impulsionado pela redução de tarifas e o aumento de cotas de exportação. Este movimento estratégico posiciona o Brasil para expandir significativamente sua participação no mercado europeu, que é considerado de alto valor agregado e fundamental para o crescimento do setor.
Um exemplo proeminente dessa movimentação é a Villa Germania, uma das maiores produtoras e exportadoras de carne de pato, codorna e frango orgânico no Brasil. A companhia, que possui unidades em Santa Catarina, projeta um ambicioso plano de exportar 5 mil toneladas anuais de carne de pato para consumo humano na Europa até 2028, especialmente para a França. Para isso, são estimados investimentos de R$ 25 milhões em adaptações, incluindo a homologação de sua unidade em Indaial (SC) por técnicos europeus e a construção de um laboratório de análises e um armazém no Porto de Itajaí (SC), visando otimizar a logística e elevar a capacidade de abate para atender à demanda europeia.
Além da avicultura, outros segmentos da proteína animal também se beneficiarão substancialmente. Para a carne suína, o acordo estabelece, pela primeira vez, uma tarifa preferencial com uma cota de 25 mil toneladas anuais, tornando as exportações para a Europa viáveis e competitivas. No caso da carne bovina, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes Industrializadas (Abiec) estima que o tratado possibilitará a venda de 99 mil toneladas anuais do Mercosul para a Europa, com tarifas reduzidas. Empresas como a Minerva Foods e a Granja Faria, líder na produção de ovos, já se preparam para explorar essas novas aberturas de mercado, investindo em habilitações e capacidade produtiva.
O impacto econômico do acordo é amplamente positivo, conforme estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que apontam o agronegócio como o maior beneficiado. O setor pode registrar um aumento de US$ 6,2 bilhões nas exportações até 2040 e um incremento de 2% na produção, equivalente a US$ 11 bilhões. Em um cenário mais amplo, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil poderá crescer 0,46%, adicionando US$ 9,3 bilhões à economia. Além disso, prevê-se um aumento de 1,19% nos investimentos europeus no país e um ganho de 0,41% no salário real, fortalecendo a integração de um mercado de 700 milhões de pessoas e conferindo relevância geopolítica ao bloco em meio às atuais tensões comerciais globais.

%2Fhttps%3A%2F%2Fi.s3.glbimg.com%2Fv1%2FAUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8%2Finternal_photos%2Fbs%2F2026%2FN%2F9%2F5Bj7lzQc2y1zjmTlYG4A%2Fgranja-ue-mercosul.png&w=3840&q=75)